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Hoje é 26 de fevereiro de 2020



Paulo Porto homenageia médica da USF Maria Luiza por diagnóstico de doença rara

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Segunda, 20 Janeiro 2020 16:41

O vereador Paulo Porto (PCdoB) vai propor uma homenagem para a médica Thaisi Estralioto de Souza Campos, que atua na Unidade da Saúde da Família (USF) do bairro Maria Luiza. A médica, que também é fisioterapeuta, teve uma atuação determinante no ano passado quando, num atendimento a uma criança, viabilizou que o serviço público chegasse ao diagnóstico de um raro caso de doença renal, que ameaçava seriamente o desenvolvimento motor e a autonomia futura do paciente. O caso envolve outros profissionais e até pesquisadores ligados à Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), envolvidos num plano terapêutico coordenado de sucesso. “É um caso muito bonito que comprova a qualidade dos profissionais e do serviço público como um todo. É fundamental valorizarmos esse episódio até como forma de combater os discursos e as práticas governamentais que pretendem atacar, agora, a estabilidade dos servidores públicos, depois de já destruírem outros direitos, como a aposentadoria”, justifica o vereador.

O relato do fato chegou ao gabinete do vereador através da mãe da criança, Ieda Araújo Prado, que é professora da rede municipal de ensino. Ela conta que seu filho, o garoto Benício, nascido em maio de 2018, só está andando e se desenvolvendo normalmente graças à atuação da médica da USF Maria Luiza. “Ela foi muito além no atendimento. Estudou e pesquisou muito para investigar o caso e isso permitiu o diagnóstico correto e o tratamento adequado de meu filho”, relata a mãe. Segundo ela, é preciso mesmo valorizar o caso. “Se fosse o contrário, como um erro médico, por exemplo, daríamos visibilidade para isso, teria muito barulho. Então, é justo fazer esse reconhecimento público”, justifica Ieda.

Ieda resume a história: “meu filho passou pela mão de 22 médicos, grande parte da rede privada, que atende planos de saúde. Mas foi no serviço público que o diagnóstico de uma doença rara foi feito. E foi por isso que se chegou ao tratamento adequado e só por isso hoje meu filho anda e se desenvolve feliz e com saúde”, conta.

Ieda explica que fez o pré-natal em rede privada, valendo-se de plano de saúde. Logo nos primeiros dias, começou a perceber que havia algo diferente com seu filho. “O pediatra que nos atendia disse que não era nada. Mas sou mãe e percebia que havia algo errado”, conta. Por conta de um outro problema, precisou levar a criança para uma consulta com um neurologista, falou novamente da preocupação com a criança. “O neuro concordou que havia algo diferente e recomendou que procurasse a Unioeste, com seus profissionais, para uma investigação”, diz.

Ieda precisava do encaminhamento pelo serviço público e procurou a unidade mais próxima de sua casa, no caso, a USF do maria Luiza. Atendida pela médica Thaisi Estralioto, Ieda estava finalmente no caminho para o diagnóstico correto para seu filho. A própria médica, que atua na rede pública municipal de saúde desde 2015, lembra que Benício chegou a unidade com poucas semanas de vida, quando ela percebeu alterações clínicas, uma vez que era criança prematura e precisava de atendimento de especialidades médicas, como pneumologista e neurologista. A médica lembra também que, com aproximadamente seis meses, a criança apresentou perda de peso e atraso no desenvolvimento motor, o que necessitou encaminhamento para a fisioterapia, quando se confirmou problemas de mobilidade no quadril. Realizado um raio-x, descobriu-se um problema de ossificação, que a criança não tinha a cabeça do fêmur, e o caso envolveu também profissionais de ortopedia.

A mãe de Benício explica que depois do Carnaval de 2019, quando se chegou ao diagnóstico, de volta a USF, a doutora Thaisi prometeu que iria estudar mais sobre o caso, inclusive solicitando mais exames. “Ela (a médica) fez uma pesquisa e encontrou um estudo de caso sobre uma criança, de um outro país, que também não tinha a formação adequada da cabeça do osso, mas no cotovelo. E esse caso estaria relacionado a uma doença renal. Foi assim que a doutora Thaisi pediu exames nos rins para Benício e o teste deu positivo para Acidose Tubular Renal, uma espécie de imaturidade que faz com que a criança não absorva nutrientes. Foi assim que se descobriu exatamente o que havia de diferente com meu filho”, relata Ieda.

Havendo necessidade de consulta com um nefrologista, Ieda procurou o plano de saúde e o atendimento poderia demorar até seis meses. No entanto, com o atendimento coordenado, a médica da USF conseguiu atendimento pelo SUS para o mesmo dia. “Em 15 dias de tratamento, num novo raio-x, já apareciam os primeiros sinais de recuperação óssea. Em três meses de tratamento, meu filho já tinha a cabeça do fêmur com tamanho normal. Em razão disso, Benício já conseguia sentar, engatinhava e até ficava de pé com o auxílio de um andador. No dia 10 de novembro do ano passado, no dia do meu aniversário, meu marido, Luis Fernando, levou Benício até o lago municipal. Lá, no parquinho infantil, Benício ficou de pé, apoiado e, do nada, andou pela primeira vez, sem apoio algum. Felizmente, temos esse vídeo, gravado em celular”, conta.

Ieda e Benício continuam frequentando a USF Maria Luiza e a Unioeste, onde novos estudos e pesquisas são realizadas. A médica Thaisi Estralioto lembra que esse é um caso muito raro e deve concluir nos próximos dias o artigo científico sobre o estudo, que deve publicar em revistas científicas em breve. Ela faz questão de ressaltar que a homenagem proposta, deve ser estendida a toda a equipe de profissionais da USF e da Unioeste. “Isso só foi possível porque houve um plano terapêutico coordenado. E nos ajudou muito no diagnóstico o fato de a mãe do Benício ter conseguido realizar alguns exames através de seu plano de saúde”, diz.

Assessoria de Imprensa/ Paulo Porto

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