Notícias

Sanepar explica a Comissão como funciona o sistema interligado de abastecimento

O município de Cascavel faz parte de um sistema interligado que garante o abastecimento de água de 19 cidades da região e não corre risco de ficar sem água por contribuir no fornecimento de cidades que não produzem o suficiente para si mesmas, como é o caso de Santa Tereza do Oeste. Esse é o resumo das explicações dadas na manhã desta quarta-feira (22) pela gerente regional da Sanepar, Rita Camana, à Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) da Câmara Municipal.

Na reunião, conduzida pelo vereador Celso Dal Molin (PL), presidente da Comissão, e pela vereadora Beth Leal (Republicanos), com a presença da assessoria do outro componente da CDC, Tiago Almeida (União Brasil), a gerente demonstrou com detalhes o funcionamento do sistema. Ela veio acompanhada de técnicos e engenheiros da empresa de abastecimento.

De acordo com Celso Dal Molin, que desde 2019 acompanha a situação da crise hídrica em Cascavel, a informação divulgada pela Sanepar recentemente, de que um sistema de interligação entre Cascavel e Santa Tereza em um trajeto de 15,6 km utilizará água captada do rio São José, precisa ser melhor explicada. Algumas questões que os vereadores pretendem esclarecer é: Cascavel tem autonomia hídrica para levar água para Santa Tereza e Corbélia? Está sendo trabalhada nessas duas cidades a sustentabilidade para garantir sua autonomia? Com a construção destes dutos para os outros municípios, como essa água será cobrada?

Segundo Rita Camana, os sistemas interligados existem em vários pontos do Paraná e do Brasil, e se prestam ao cumprimento do marco regulatório. “É como está na lei: a água é um bem de todos e de uso comum. Nós temos que garantir 100% de abastecimento para todas as pessoas em todas as cidades, e buscar água onde houver”, disse ela. Ela afirmou que a estratégia de garantia de abastecimento é regional e que a Sanepar opera com caixa único, portanto não há que se falar em cobrança de uma cidade em relação à outra.

No caso das cidades citadas, Corbélia possui fontes de água suficientes e, com a finalização de seu quinto poço de captação, até 2026 o município não precisará recorrer à água de outras cidades. Situação oposta é a de Santa Tereza do Oeste, que não tem como produzir água suficiente para sua população. Dos 10 poços perfurados pela Sanepar, apenas dois produziram e estão operantes. O município dependerá sempre de água vinda de outras cidades.

Cascavel, por outro lado, é uma grande fonte de produção de água. A Sanepar conta que o município consome em torno de 70 mil metros cúbicos por dia e já produz 86 mil metros cúbicos, com previsão de chegar a 103 mil após a conclusão dos investimentos previstos para os próximos anos. Só para se ter uma ideia, a água que vai de Cascavel para Santa Tereza representa apenas 1% da que é produzida aqui, mas garante quase 50% de todo o abastecimento do município vizinho.

O presidente da Comissão se disse satisfeito com as explicações dadas, o que não afasta a necessidade de ouvir novamente a Sanepar sobre outras questões relacionadas ao abastecimento de água. “Pelos dados apresentados e que está no papel, nós estamos tranquilos. Nós vimos hoje que Santa Tereza não tem mesmo condições de produzir água de jeito nenhum e vai depender da água de Cascavel, e Corbélia vai ter condições a partir do poço novo, sem depender de Cascavel. Eles mostraram todos os investimentos que serão feitos para garantir água até 2050. Só não queremos que no futuro, por falta de investimentos, nós venhamos a passar por dificuldades. Por enquanto, vamos continuar discutindo taxa mínima, valor muito alto, o preço da água e a qualidade da água”, afirmou Celso Dal Molin.

Obra permitiu a interligação

O abastecimento de Santa Tereza do Oeste passou a receber reforço de água tratada vinda de Cascavel, com a interligação dos sistemas feita pela Sanepar nos últimos dias. Num trajeto de 15,6 quilômetros, às margens da Rodovia BR-277, uma adutora de 225 milímetros de diâmetro transporta diariamente 900 mil litros de água para atender 50% da população de Santa Tereza. Bombeada por uma estação elevatória, a água sai do Centro de Reservação do Jardim Esmeralda, em Cascavel, até os reservatórios da cidade vizinha. A Sanepar investiu R$ 5 milhões nessa operação, que irá garantir o abastecimento pelos próximos 25 anos.

A interligação dos sistemas só foi possível após a captação de água do rio São José entrar em operação, em 2021. Com mais esse manancial de abastecimento, Cascavel teve um incremento de 25% na capacidade de produção de água, permitindo o compartilhamento da água tratada.

Assessoria de Imprensa/CMC