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Reunião debate superlotação no HUOP e reforça defesa do hospital e ajustes na regulação

A superlotação do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) e o alto número de determinações regulatórias, ordens da regulação que definem encaminhamentos e prioridades de atendimento na rede de saúde, foram tema central da reunião realizada nesta quarta-feira (22) na Câmara de Cascavel. O encontro foi convocado pelo vereador Edson Souza (MDB), presidente da Comissão de Saúde, com participação dos vereadores Cidão da Telepar (Podemos) e Rondinelle Batista (Novo), membros da Comissão de Saúde, além de autoridades da saúde e representantes do sistema de saúde.

A reunião contou com a presença do diretor administrativo do HUOP Rodrigo Barcella, a coordenadora do Núcleo Interno de Regulação do HUOP, Ângela G. da Silva Pagliace, a coordenadora do Centro de Imagens do HUOP, Magali Catarina da Silva e o médico regulador do NIR do HUOP, Clóvis Casagrande Junior, o diretor da 10ª Regional de Saúde Rubens Griep, o diretor geral do Consamu, João Gabriel Avanci e o diretor técnico do Consamu e da Central de Regulação de Leitos Fernando Chiavelli Sonomiya.

Participaram ainda o promotor da 9ª Promotoria de Justiça Felipe Segura Guimarães Rocha, a diretora de Atenção à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde Mônica Grando Grutzmacher que representou o secretário municipal, e Mauro Aparecido Giomo representando o presidente do Conselho Municipal de Saúde.

O diagnóstico conjunto reforçou que a superlotação não está ligada apenas à falta de leitos, mas principalmente ao modelo de regulação e ao volume de encaminhamentos acima da capacidade planejada do hospital. Casos que poderiam ser resolvidos na média complexidade acabam chegando ao HUOP, o que amplia a pressão sobre a estrutura e impacta o funcionamento diário.

A defesa do hospital foi reforçada ao longo da reunião, com destaque para o diretor administrativo Rodrigo Barcella, que apontou o HUOP como referência regional em atendimentos de alta complexidade e ressaltou o aumento contínuo da demanda. Ele destacou que, mesmo com reorganizações internas e ampliação da capacidade de resposta, o cenário de sobrecarga se mantém, especialmente pela concentração de pacientes que permanecem regulados ao longo do dia e acabam chegando em grande volume no período da noite, quando há um pico de entradas que pressiona simultaneamente equipes e estrutura.

Esse comportamento do fluxo foi um dos pontos mais discutidos, já que o período noturno concentra a chegada de pacientes que aguardaram regulação durante o dia, gerando entrada simultânea em grande volume. Essa dinâmica desorganiza o fluxo interno, sobrecarrega equipes e dificulta a rotatividade dos leitos, sendo apontada como um dos principais desafios operacionais do hospital.

O promotor da 9ª Promotoria de Justiça Felipe Segura Guimarães Rocha destacou que acompanha a situação de forma ampla, ouvindo diferentes atores do sistema e analisando tanto a regulação quanto os fluxos internos do hospital. Ele observou a necessidade de identificar gargalos e aprimorar os encaminhamentos, especialmente diante da concentração de pacientes ao longo do dia e do aumento de entradas no período noturno, o que impacta diretamente a organização do atendimento e a gestão dos leitos.

Pela 10ª Regional de Saúde, o diretor Rubens Griep apontou que existem fragilidades na origem da demanda e na forma de inserção dos pacientes no sistema, o que contribui para a concentração de casos no HUOP. Ele também destacou que o modelo de regulação ainda não consolidou plenamente o aceite como prática predominante, interferindo no equilíbrio do fluxo assistencial.

A dinâmica de entrada dos pacientes ao longo do dia foi tratada como um dos principais fatores de pressão sobre o hospital. A concentração no período noturno, após longos períodos de regulação durante o dia, resulta em chegada simultânea de pacientes, o que sobrecarrega equipes, compromete a organização interna e afeta diretamente a gestão dos leitos e o ritmo de atendimento.

Foi ressaltado pelo diretor técnico do Consamu e da Central de Regulação de Leitos Fernando Chiavelli Sonomiya que o volume de internações é elevado e que a distribuição ao longo do dia interfere diretamente no funcionamento da rede. Ele também destacou que o Núcleo Interno de Regulação do HUOP, coordenado por Ângela G. da Silva Pagliace, já contribui para melhorar os processos de aceite e organização interna, embora ainda haja necessidade de aprimoramentos.

No âmbito interno do hospital, o médico regulador do NIR do HUOP Clóvis Casagrande Junior avaliou que há esforços constantes de organização, mas que o processo ainda está em evolução. Situações em que pacientes são encaminhados e liberados no mesmo dia seguem sendo apontadas como pontos de atenção na rotina de ocupação dos leitos.

A diretora de Atenção à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde Mônica Grando Grutzmacher, que representou o secretário municipal, destacou o trabalho de qualificação dos encaminhamentos, com foco na chamada qualificação dos cliques. Segundo ela, há intensificação da cobrança junto aos profissionais e investimentos em capacitações em urgência e emergência, além do uso das informações da regulação para identificar falhas e corrigir pontos críticos do sistema.

Também foi explicado que o transporte de pacientes é operado pelo Consamu, sob responsabilidade do diretor geral João Gabriel Avanci, e que a distribuição das viagens ao longo do dia impacta diretamente o fluxo assistencial, com maior concentração de deslocamentos no período noturno em razão da dinâmica dos encaminhamentos.

No Conselho Municipal de Saúde, representado por Mauro Aparecido Giomo, foi reforçada a necessidade de avaliar a concentração das admissões ao longo do dia, com atenção especial ao período noturno, quando há maior acúmulo de entradas. A avaliação é de que o fluxo precisa ser mais bem distribuído para evitar sobrecarga em horários específicos e garantir mais equilíbrio no funcionamento do hospital.

Como encaminhamento, foi proposta a criação de um grupo técnico para revisar o fluxo de regulação, qualificar os critérios de encaminhamento e fortalecer o diálogo entre os órgãos envolvidos. A medida busca tornar o sistema mais eficiente, reduzir distorções e aliviar a pressão sobre o HUOP.

A reunião reforçou a atuação da Comissão de Saúde na defesa do Hospital Universitário e na busca por soluções estruturais, com foco na organização do fluxo de regulação e na melhoria do atendimento à população, garantindo a manutenção do HUOP como referência regional com condições adequadas de funcionamento.

Assessoria do Vereador Edson Souza/CMC